06) O Direito à defesa.

O Direito à Defesa
Marcelo Pereira*

O povo brasileiro está sendo envolvido numa campanha falaciosa, que procura demagogicamente solucionar de forma errada o grave problema da violência. Tem sido propalado pela imprensa tendenciosa, como verdade, a falsa idéia de que ninguém deve reagir contra o crime, que todos devem resignadamente se submeter ao arbítrio dos bandidos e, o que é pior, devem concordar com o desarmamento da população honesta. Tais proposições são tão absurdas quanto mal intencionados seus defensores. Todos sabemos que leis decorrentes do exercício do poder de polícia do Estado não protegem direitos, nem da sociedade e muito menos do indivíduo. Leis dessa natureza servem apenas para restringir liberdades, e como tal, num Estado Democrático devem ser elaboradas com muito bom senso e parcimônia, sob pena de se tiranizar a população.

Nenhum Estado tem o direito de oprimir seus cidadãos impedindo-os de defenderem suas vidas. Não é possível em sã consciência querer retirar do pai de família o sagrado direito de defender sua vida na rua e sua esposa e seus filhos dentro de sua casa. Salta aos olhos que ninguém quer bandidos armados. O que se quer é bandido preso, cumprindo sua pena e uma polícia eficiente, bem equipada, bem remunerada, motivada e respeitada. Também se quer respeito ao sagrado direito à autodefesa, à autotutela, nos termos da lei, como o cidadão honesto deve ter. Ninguém tem o direito de exigir que um homem honrado assuma o comportamento de um cordeiro obediente que vai para o sacrifício no altar dos bandidos, enquanto pacifistas com vocação para vítimas propõem políticas cretinas de segurança pública.

O Estado não foi criado para sufocar o cidadão. O Estado foi criado para protegê-lo e até o mais eficiente não pode estar em todo lugar, de maneira onipresente assim como Deus. Consequentemente, nenhum Estado pode querer impedir que o indivíduo se defenda. Em breve, todos os direitos individuais deixarão de existir sob o pretexto de se resolver este ou aquele problema nacional. Os direitos e garantias individuais servem para proteger as pessoas contra os maus representantes do povo, não podendo ser deixados de lado sob quaisquer motivos. Já presenciamos tal comportamento em países que foram se tornando ditatoriais, e o resultado é do conhecimento público. Em 1935 também se proibiu na Alemanha a posse de armas pelos cidadãos alemães, com os objetivos e resultados que todos bem conhecem. O mesmo aconteceu em Cuba em 1959, última ditadura comunista das Américas.

As causas da violência dizem respeito a profundos problemas de caráter econômico, de distribuição de renda e de políticas sociais. Cabe ao Governo Federal tomar providências eficientes a respeito, em vez de levantar mais uma cortina de fumaça sobre o assunto. Todos podem claramente perceber que os índices de violência no Brasil estão crescendo, bem como o aumento do armamento clandestino em poder dos criminosos, apesar das restrições ao porte de armas que vêm ocorrendo, o que prova a inutilidade de qualquer medida que pretenda desarmar o cidadão honesto. Estatísticas da própria Coordenadoria dos Estabelecimentos Penitenciários do Estado de São Paulo comprovam que apenas 0,36% do total de presos cumprem pena por porte ilegal de arma de fogo. Como se pode claramente perceber, de nada adiantou criminalizar o porte ilegal de arma de fogo desde 1997, pois os bandidos continuam atuando sem o menor constrangimento por causa disso; ou melhor, agem até com mais tranqüilidade, pois sabem que agora menos vítimas portam armas de defesa.

Nenhum de nós elegeu um Presidente para oprimir o povo com medidas demagógicas, e ninguém abriu mão do direito de preservar sua vida, bem como de sua família. Eu e muitos brasileiros acreditamos na liberdade e no direito de garantir nossa integridade física se necessário e em legítima defesa, e não admitimos que qualquer pretenso representante do senso comum venha com propostas hipócritas, pois entendemos que nenhum Governo pode tratar seus cidadãos como objetos.

A inconstitucionalidade da pretensão do Executivo Federal inclusive é patente, pois não apenas desrespeita o direito adquirido de quem legalmente possui uma arma decorrente do ato jurídico perfeito que foi sua aquisição, mas também ignora que o direito à vida do brasileiro, por meio de sua defesa, é intocável. Isso para não se mencionar o verdadeiro confisco que se pretende levar a efeito com a dificultosa renovação de registros das armas regulares, bens de brasileiros que serão tomados numa verdadeira afronta ao constitucional direito de propriedade. Despotismo da espécie é sem precedentes na história republicana deste País.

O que é pior, ainda por cima tramita no congresso nacional a ridícula proposta de se proibir o uso de lâminas, como se isso fosse também solucionar a criminalidade. A demagogia e a falta de inteligência de alguns políticos realmente ultrapassa os limites do inimaginável. Somente em países de última categoria é que coisas dessa natureza acontecem, e com o beneplácito de uma imprensa amorfa.

Assim e por tudo isso, acredito que a todo cidadão cabe o dever de zelar pela manutenção e o respeito das liberdades individuais, pois qualquer ação contrária a estas terá um alto preço para a sociedade.

* MARCELO PEREIRA
Doutor em Direito do Estado pela
Faculdade de Direito da USP

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4 respostas para “ 06) O Direito à defesa. ”

  1. Crizal disse:

    Muito bom artigo. Já está na hora de termos políticos que também compartilhem dessas idéias.

  2. Joel Marques disse:

    Não sei não mas daqui a pouco vão proibir o sujeito de usar um simples cortador de unhas porque pode ser que ele consiga ferir o bandido com ele

  3. Daniel disse:

    O governo brasileiro vem transformando sistematicamente seus cidadãos em cordeiros, impondo leis inconstitucionais que retiram o direito a qualquer possibilidade de defesa e sugerindo (OBRIGANDO) que seus cidadãos tenham atitudes cada vez mais covardes diante de bandidos que, agora já acostumados a tolerância extrema da sociedade para com seus atos, ousam cada vez mais.

    Ao impor atitudes como: “Nunca reaja!” , “Seja da paz.”, “Não saia de casa depois das 22:00hs.” , “Não saia ostentando riqueza…jóias, relógios caros, etc.”. Que mensagem o governo de fato quer nos passar com essas campanhas?

    1) Que em uma “democracia” eu, como cidadão de bem, não posso me defender e devo virar o rosto e baixar a cabeça enquanto minha esposa e filhos estão sendo assaltados e minha propriedade é invadida e destruída.

    2) Que devo ter sempre uma postura pacífica mesmo diante de criminosos que não dão a mínima pra essa filosofia Mahatma Gandhi.

    3) Talvez a solução seja eu não sair de casa depois das 22:00hs. Mas espere um pouco, crimes não tem hora marcada pra acontecer, eu posso ter minha casa invadida e meus filhos mortos em uma bela manhã de sábado e não terei como me defender pois no Brasil o governo impede que seus cidadãos de bem se defendam!

    4) Embora vivamos uma democracia capitalista, o governo me diz como devo me vestir , que relógios e acessórios devo usar, de preferência, tudo de péssima qualidade, o governo diz que é pra não chamar atenção do bandido, que é pra minha própria segurança. Então quer dizer que além de todos esses absurdos agora devo me vestir como mendigo pra que eu possa sair as ruas com alguma segurança?! E a segurança que o governo deve oferecer ao cidadão? é obrigação do governo garantir o mínimo de segurança para que o cidadão de bem exerça o direito básico de ir e vir a que horas bem entender, é pra isso que pagamos impostos! (o brasil é um dos países com os impostos mais altos do mundo!).

    Acho que nós brasileiros devemos estar sempre atentos a essas situações absurdas. É melhor pra nós conhecermos os nossos diretos pra sabermos quando esses direitos estão sendo jogados no lixo.

    Não adianta somente saber qual foi o placar do último jogo de futebol do nosso time favorito nem quando vai ter feriadão que é bom pra ir pra praia, é preciso saber o que está se passando ao seu redor. Digo com 100% de certeza que num futuro próximo, ou você, ou alguém da sua família vai ser vítima dessa situação lamentável de violência que se instalou no Brasil por culpa da ineficiência do governo, das autoridades competentes e do sistema de justiça de um modo geral. Estamos todos no mesmo barco meu amigo, não adianta achar que você é iluminado e que nunca acontecerá com você.

    Vamos acordar e cobrar do governo nosso direito de defesa e proteção pelo menos (já que não nos dão saúde, educação, etc.)!

    Reúna um grupo e proteste! faça valer seus direitos;

    Se tem um blog, um site, um jornal, etc. escreva e mostre o que está acontecendo e o que as pessoas podem fazer pra mudar a situação;

    Converse com um amigo ou conhecido menos esclarecido e depois diga a ele pra fazer o mesmo com um outro amigo ou conhecido dele;

    O primeiro passo pra mudar a situação de um país, é ter um povo esclarecido e consciente dos seus direitos e também dos seus deveres. Nenhum governo ou sistema pode contrariar a vontade de uma população organizada. A história nos mostra que impérios e ditaduras já foram vencidos pela ação conjunta da população, exércitos foram derrotados e perderam a vontade de lutar contra seu próprio povo. Portando não pense que não adianta reclamar, mas é preciso que a maioria tenha consciência disso. Denuncie, proteste, grite! De preferência junte mais alguns que também defendem essas idéias.

    Na hora de votar veja bem a história do sujeito, que idéias ele defende, política não é futebol, não apóie um partido político incondicionalmente. Veja se o seu candidato não é mais um hipócrita metido a defensor de direitos humanos e que só favorece a bandidagem, aliás direitos humanos deve ser somente pra humano! Já faz tempo que os bandidos abandonaram a natureza humana por assim dizer, e se comportam como verdadeiras feras trucidando e humilhando a nós, povo brasileiro, agora enfraquecidos e transformados em meros cordeiros sendo conduzidos por esse pastor incompetente que é o governo do Brasil para o abate. Não vamos deixar isso acontecer!

  4. Marcelo Pereira disse:

    Endosso na íntegra a posição do Daniel.