Considerações sobre valorização de coleção de cutelaria

Recebi este comentário há alguns dias e estava esperando o momento certo para colocar online. Preferi deixar o comentário na primeira página, como um novo tópico, para que todos pudessem ler e comentar. Convém ressaltar que o autor do comentário, A.Cardoso, é brasileiro mas mora atualmente na Inglaterra, dando-nos assim a possibilidade de ouvir uma opinião de alguém que vive num país tradicional em cutelaria, embora com muitas restrições ao uso de qualquer tipo de lâmina no dia a dia.
Agradeço imensamente ao A. Cardoso por usar seu tempo para escrever as considerações abaixo.

Boa leitura
Mauro

Sr. Mauro Machado,

Navego o blog.taymo.com há pelo menos uma hora, tendo a maior satisfação do mundo em ler sobre o interesse dos participantes (alguns exímios especialistas!) nestas áreas específicas da cutelaria - canivetes (pocket), combate , proteção pessoal …

Meu interesse (fascínio) por facas começou no início dos anos 90 quando utilizei um machete do Corpo de Bombeiros (IMBEL?), facoes Matão e Tramontina, foices, limas e amoladores para iniciar um projeto de design agrícola sustentável. Aprendia o manuseio das ferramentas, trabalhar o aço, conhecia o enxó, etc …

Com a chegada da Internet veio o acesso ás facas importadas, othe Knifecenter enviava Spydercos, Cold Steel, etc. para o Brasil; se a alfandega não barrasse o pacote era festa, caso contrário era muito oneroso pagar 50% de imposto até sobre o preço da remessa postal.

O tópico que eu pensei em trazer para debate aqui é sobre o colecionismo destas facas e canivetes.
Fazendo uma comparação com o colecionismo de canetas tinteiro, por exemplo:
- Um colecionador pode ter comprado a ‘caneta do ano’ da Montblanc nos últimos 30 anos, para tanto gastou digamos 300 euros. Quando o colecionador colocar sua coleção á venda poderá ter um retorno de 100% a 400% num leilao, por exemplo, mas a expectativa é esta; sabe-se que o valor da coleção de Montblancs nao alcançará valores astronomicos.

No caso das facas e canivetes como é que funcionará o mercado futuro ?

Por exemplo:
- Tenho na coleção facas já totalmente ‘fora’ do mercado, como por exemplo um canivete Victorinox Safari, um Spyderco Catcherman, a exelente Cold Steel Culloden; qual a expectativa de preço no mercado atual para estas clássicas facas e canivetes já fora da linha de produção? Ficam valendo somente no mundo dos colecionadores e especialistas, certo ? Talvez.

Levando em conta as mudanças que a Internet vem trazendo ao nosso modo de vida e ao mercado globalizado - veja por exemplo no mercado de artes que explodiu num boom jamais visto nos últimos 5 anos, com investidores que nunca souberam de artes plásticas investindo $150 mil num quadro de jovem artista só para dentro de 5 anos poder doar a obra a um museu e poder descontar o valor de $550 mil do imposto de renda de sua empresa … - será que a divulgação via Internet através de blogs como o Taymo promoverá um boom no mercado de colecionismo facas comerciais ? (desconsidere o mercado de facas artesanais - de tiragem limitadíssimas - nesta questão).

É interessante ver até que ponto a divulgação cada vez maior do conhecimento trará mais e mais gente para o colecionismo de facas e canivetes, interessadas em saber que as facas européias pós 1987 começam a ser fabricadas com aço reciclado, que o teor carbono ou molibdenio faz diferença na manutenção da lamina cortante, etc, etc ….

O bom senso nos garante que investir em metal na forma de objeto cortante é uma necessidade básica para todo ser humano, sem excessão. Quanto mais gente conhecer o que conhecemos …

Certa vez listei minha Cold Steel Culloden no eBay UK (vivo na Inglaterra faz 4 anos) mas desistí de levar o leilao até o final e retirei a venda. Talvez o preço salgado de 170 libras do lance inicial tivesse sido coberto por um colecionador, imagino se esta faca valerá isso num futuro próximo ou se valerá muito mais num futuro distante quando mais e mais colecionadores comentarem do aço Carbon5 japones desta faca que a Cold Steel ofertou por uma década no mercado…

O que os colaboradores e responsáveis pelo blog acham a respeito do mercado futuro para as nossas facas ?

Grato pela atenção e pela oportunidade de comentar sobre o hobby.

A. Cardoso

16 respostas para “ Considerações sobre valorização de coleção de cutelaria ”

  1. Marcio Kurvar disse:

    Muito, interressante as colocaçôes de nosso amigo cardoso, bem eu acho que qualquer produto de cunho industrial tem seu valor um exemplo são os colecionadores de radinhos portateis (FORA DE LINHA) motorola nos Estado Unidos que com a caixa esses pequenos radios simplesmente dobra de valor e atigem valores muito altos para um radio.
    Mais num contexto geral sendo canetas, relogios, canivetes etc…
    De fabricação industriais de alta qualidade especialmente feito em paises do primeiro mundo com o passar dos anos principalmente se já sairâo de linha tenho absoluta certeza que vão ter um ganho diario de valor alguns mais outros menos mais vão valorizar com certeza e espero que os cutelos valorizem mais.
    Um abraço a todos.

  2. Antonio Alberghini disse:

    Eu sei que quando eu tinha 14-15 (decada de 80) anos, uma qualquer loja de cutelaria na Italia vendia uma Puma Master Hunter a preços equivalentes a 50 US $ e hoje…..Outro exemplo eu tive com uma lança da Puma forjada na epoca devia custar uns 100 US$…hoje aparece por mais de 2000-3000 U$ quando se acha e por aí vai…

  3. Marcelo Pereira disse:

    Embora válida a posição exposta no artigo, particularmente não coleciono peças de cutelaria pensando no retorno financeiro da atividade. Faço por paixão e também por ser usuário de lâminas, unindo o útil ao agradável como se costuma dizer.
    Creio ser necessário fazer uma distinção entre o colecionador e o comerciante de cutelaria ou “dealer”, como na moda se menciona. Enquanto o primeiro adquire e dispõe de peças sem obrigatoriamente pensar no lucro advindo, o segundo age movido pelo ganho. Claro que é válida a ação do comerciante, só que não se confunde com a pretensão de quem coleciona por gosto.
    Algumas atividades servem para “temperar” a vida, sem as quais esta ficaria insossa. No meu caso, a cutelaria é um desses têmperos que, de há muito, me viciaram irremediavelmente.

  4. Antonio Alberghini disse:

    Concordo com o colega, pois para pensar somente na valorização seria oportuno manter a faca na caixa sem usar absolutamente, em ambiente controlado para que não aconteça nada com a mesma. Pode até ser rentável, mas não é nada divertido. Eu por exemplo não me considero colecionador, mas usuário, ou seja, para mim o bom de uma faca é poder usa-la. Sou até meio negligente com a manutenção, o que desclassifica e muito um colecionador. Podem me chamar de criança, mas para mim são “brinquedos” para uso e lazer!

  5. Marcelo Pereira disse:

    Também comungo da mesma posição do Antonio Alberghini, pois além de colecionador sou igualmente usuário. Claro que algumas peças devem mesmo ficar guardadas, seja pelo valor ou pela raridade(as Gaetas do Roberto Gaeta estão nas duas categorias), mas o bom mesmo é usar as lâminas e poder usufruir de suas qualidades.

  6. Luiz Machado disse:

    Talvez até o momento eu seja o mais “chato”, pois meus 13 canivetes comprados, inclusive do Mauro, não vendo, não dou e não empresto. estão avaliados em valores de compra em mais de 3,5 mil reais. o que quase me rendeu um divórcio (risos). Mas o tema é interessante e dentro de alguns anos, certamente vamos estar nesse forum discutindo o valor inestimável de nossa belas peças.

  7. Flávio Bravin disse:

    Aproveitando o gancho Mauro, porque não abrir espaço para que possamos listar as nossas preciosidades. Assim cada um fica sabendo o que o outro tem e quem sabe até viabilizamos algumas trocas, etc.

  8. Marcelo Pereira disse:

    Talvez se possa disponibilizar um espaço no Blog para uma seção de “classificados”, na qual os interessados colocariam suas ofertas de compra, venda e troca. A título de administração, nos negócios onerosos(compras e vendas) quem vendesse daria um percentual para a manutenção da seção.

    obs.: a idéia é de minha responsabilidade. O Mauro não conversou comigo sobre o assunto e nem sei se ele vai concordar.

  9. Mauro disse:

    Caros Amigos,

    Ainda não entrei nesta discussão porque estou preparando um texto sobre como o colecionador internacional considera este mercado. Adianto que existem vários livros, principalmente em inglês, que tratam somente de colecionismo de peças industrializadas.
    A idéia do Marcelo Pereira e do Flávio Bravin é válida, uma seção de classificados. Só estou aguardando a resposta do webdesigner para poder implementar esta seção no blog.
    Outras modificações também estão em estudos.
    Abraços
    Mauro

  10. Adailton disse:

    Pessoal

    Penso que não devemos confundir o colecionador de facas do amante de facas (na qual me identifico), qual seja: o colecionador é uma pessoa que faz questão de ter todo o conjunto da faca como caixa, manual, bainha, botão da bainha… no mais peeeerfeito estado, não concordo que o colecionador necessariamente pense no lucro futuro. Quanto ao amante de facas ele quer colocar a prova o seu “troféu” com intuito de comprovar na prática se realmente tal marca corresponde ao que ela apresenta, eu confeço que compro minhas facas com intúito de usar em determinada caçada, acampamento, churrascada, presentear alguém..e por aí vai. Mas acho que para ambos os casos incontestavelmente devemos pensar no lado financeiro do nosso investimento, explico: se viermos a morrer amanhã, qual de nossos entes queridos sabem o valor de nosso hobby? onde irão peocurar esta resposta? como confiarão em alguém para avaliar? Acho muito pertinente tal assunto.
    Não é uma questão de comprarmos algo e dizer: “isto é minha paixão, não têm preço”…não gostaria de ver minha mulher ou filha vendendo uma faca que paguei R$ 1.000,00 vendendo por R$ 100,00 porquê não temos um parametro de avalição. É um assunto muito bom este, mas sem questionarmos o objetivo do investimento no produto.

  11. Marcelo Pereira disse:

    Naturalmente a prudência recomenda que, caso tenhamos itens caros em nossas coleções, deixemos alguém informado a respeito justamente para não se vender uma Loveless de US$5.000,00 por R$500,00.
    Realmente, há colecionadores de vários tipos, desde aqueles que guardam até o papel de embrulho no qual a faca veio, até os que são também usuários(meu tipo) das peças de suas coletãneas.
    A idéia de se criar uma seção de classificados é ótima também para se estabelecer um padrão de valor de mercado, a fim de que todos possam saber qual o real valor de suas lâminas.

  12. Alfredo Pallavicini disse:

    Caros confrades apaixonados por cutelaria, acho que os motivos para colecionar objetos cortantes são os mais variados e individuais.
    Quanto ao aspecto de investimento, acho que há formas mais apropriadas, pois os valores tanto podem subir às estrelas quanto não evoluir satisfatóriamente como margem de lucro.
    Mesmo os preços das facas dos mais valorizados mestres podem sofrer oscilações ao longo do tempo. Como exemplo, as facas normais do renomadíssimo Scagel, que inspirou o Bo Randall a iniciar sua produção, hoje valem cerca da metade do que valiam ha 7/8 anos (ainda assim são peças caras) conforme li no forum do Bernard Levine. Segundo Levine, só as facas realmente notáveis do Scagel mantiveram a duras penas sua cotação. Ou seja, estes itens também sofrem os efeitos da “moda” e da lei da oferta e da procura. Amanhã, quem sabe, os preços podem disparar de novo.
    Porisso procuro apenas obter peças que me agradem, a um preço que eu considero justo, e sem excessiva preocupação quanto à valorização futura. Comprei diversos itens do Mauro, tanto industriais quanto artesanais e posso afirmar que não me arrependi. De vez em quando o gosto muda, e aí faço alguma venda ou troca para realinhar a coleção ao gosto.
    Infelizmente, Marcelo, o próprio Levine que vive do comércio de facas afirma que uma faca vale exatos US$ 1,00. Qualquer coisa acima disto refere-se à apreciação que o comprador atribui ao cuteleiro/fabricante, ao estilo, materiais, antiguidade ou mesmo a quem pertenceu anteriormente, segundo ele.
    Não esqueçamos que preço não é sinônimo de valor e nem sempre proporção do custo de qualquer item.

  13. Marcelo Pereira disse:

    Sem dúvida preço não é sinônimo necessariamente de valor, pois muitas vezes a propaganda sobre algo torna um objeto mais valorizado do que realmente merece.
    Contudo, há facas que realmente são valiosas, seja pela qualidade da manufatura ou pela fama do cuteleiro que as produziu. Daí não concordo com a frase “exagerada” do Levine, pois dizer que uma Bob Loveless vale US$1,00 mais o que subjetivamente se lhe atribui é um excesso de crítica. Cito Loveless porque hoje mesmo vi numa página eletrônica americana que suas facas já estão atingindo a cifra de US$10.000,00 a 20.000,00.
    Deixo claro também que infelizmente não possuo nenhuma faca dele e que igualmente tais valores são bastante elevados, mas que suas peças são muito bem feitas, razão pela qual a fama adquirida é merecida.
    As facas do Roberto Gaeta da mesma forma são excelentes, embora não atinjam tais cifras apesar mesmo de merecerem, já que o mercado brasileiro tem uma outra realidade.
    De qualquer maneira, o elemento subjetivo de valoração de qualquer objeto é inevitável e dependente de vários fatores, que vão do gosto de quem compra até da fama de quem produz. Porém, não dá pra afirmar que a beleza e a qualidade de certas lâminas não fazem por justificar seus elevados preços.
    Valem sim e “temperam” nossas vidas; e felizes são os que podem adquirí-las.

  14. Alfredo Pallavicini disse:

    Marcelo, claro que há exagero na citação do Levine, mas daí a considerar que uma Loveless “valha” efetivamente estes preços há um abismo.
    Eu mesmo acho a “Loveless drop point” minha faca ideal, e tenho algumas interpretações dela por cuteleiros como o Ikoma, Sfreddo e algumas industriais alemãs e americanas, além de uma versão da “semi-skinner” por Roberto Gaeta. Sem nunca ter tocado uma genuina Loveless, posso afirmar que, abstraindo-se o nome, nem a versão do Ikoma nem a do Sfreddo e muito menos a do Gaeta possam valer somente algo como 5 a 10% das Loveless. Nem em materiais, acabamento e mesmo performance; aposto que não devem nada às do grande mestre. E acho que se resolvesse vendê-las hoje muito provávelmente não recuperaria o investimento inicial, mas não é isto que norteia minha coleção.
    O valor de US$ 1,00 é o da utilidade de um corte, apenas, e é isso a que se refere o perito, minha opinião é que colecionar como investimento é realmente muito arriscado, pois há flutuações nas cotações que não são previsíveis.

  15. Marcelo Pereira disse:

    Você tem razão, pois na verdade é preciso distinguir entre o colecionador(que tem peças por prazer) e o comerciante(ou “dealer” como na moda) quer atua visando lucro com a compra e venda de lâminas. O colecionador autêntico não se preocupa com a eventual desvalorização de suas facas, pois não as adquiriu pensando em ganhos futuros, ao passo que o comerciante até pode acumular peças pensando nisto como investimento a longo prazo. Apenas exemplificando, imagine agora a valorização das facas do Bill Moran, recentemente falecido.
    Quanto às lâminas de nossos cuteleiros, realmente temos excelentes artesãos que não ficam devendo nada para os estrangeiros. O Roberto Gaeta mesmo é tão bom ou melhor que qualquer outro no mundo.

  16. cassio disse:

    gostei dos produtos.como fazer para adquirir .

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