ESTRATÉGIA É TUDO
Um velho vivia sozinho em Minnesota. Ele queria cavar seu jardim, mas era um trabalho muito pesado.
Seu único filho, que normalmente o ajudava, estava na prisão. O velho então escreveu a seguinte carta ao filho, reclamando de seu problema:
“Querido Filho, estou triste porque, ao que parece, não vou poder plantar meu jardim este ano. Detesto não poder fazê-lo porque sua mãe sempre adorava a época do plantio depois do inverno. Mas eu estou velho demais para cavar a terra. Se você estivesse aqui, eu não teria esse problema, mas sei que você não pode me ajudar com o jardim, pois está na prisão.
Com amor, Papai.”
Pouco depois o pai recebeu o seguinte telegrama: “PELO AMOR DE DEUS”, papai, não escave o jardim! Foi lá que eu escondi os corpos”.
As quatro da manhã do dia seguinte, uma dúzia de agentes do FBI e policiais apareceram e cavaram o jardim inteiro, sem encontrar nenhum corpo.
Confuso, o velho escreveu uma carta para o filho contando o que acontecera. Esta foi a resposta:
“Pode plantar seu jardim agora, papai. Isso foi o máximo que eu pude fazer no momento.”
ESTRATÉGIA É TUDO.
Nada como uma boa estratégia, para conseguir coisas que parecem impossíveis. Assim, é importante repensar nas pequenas coisas que muitas vezes, nós mesmos colocamos como obstáculos em nossas carreiras, em nossas vidas, em nossos corações…
“Ter problemas na vida é inevitável, ser derrotado por eles é opcional.”
19 de Janeiro de 2007 @ 10:23
Grande lição! Ótimo final de semana para todos!
19 de Janeiro de 2007 @ 12:34
Show de bola Mauro!!!!
Abraços!!
19 de Janeiro de 2007 @ 16:43
Divertidissimo!!Espetacular!
abraço.
19 de Janeiro de 2007 @ 22:19
Muito divertido, uma lição para todos….
Todavia, o preso só podia ser americano, pois, se fosse brasileiro, teria subornado o carcereiro ou cavado um “tatu” para ajudar o “velho”…
É isso ai, o que importa é dar solução ao problema!!! (rs).
Abraços a todos, aguardando novidades.
Abraços
Leandro Jardim
20 de Janeiro de 2007 @ 10:53
A estratégia do prisioneiro demonstra que a arma mais eficiente que existe é a inteligência.
22 de Janeiro de 2007 @ 07:56
O jornal O Estado de S.Paulo publicou hoje na primeira página uma foto da “estratégia” de combate ao crime no Rio de Janeiro por parte da força nacional de segurança do governo do pt.
Trata-se de um soldado dessa tal força revistando o músico Charles Gavin, do grupo Titãs. Certamente o bravo policial acreditou que o Charles era um perigosíssimo suspeito, igual aqueles que vivem nos morros da cidade maravilhosa portanto fuzis russos AK 47, ou M16 norte-americanos.
Com toda essa ação “inteligente” dessa valorosa turma em poucos dias o crime organizado deixará de existir.
22 de Janeiro de 2007 @ 21:05
Tem mais.
Enquanto a valorosa força nacional de segurança do pt revistava perigosíssimos músicos, os bandidos cariocas assaltavam na maior tranquilidade um posto de pedágio disfarçados de policiais federais.
Parece piada de filme do Mel Brooks.
28 de Janeiro de 2007 @ 20:20
Talvez o ideal seria criticar propositivamente, dando a sua idéia ou opção mais eficiente para que a situação que temos no Rio de Janeiro. Qual seria a sua idéia de política de segurança pública eficiente, Marcelo ??
E a Força Nacional não é do PT, assim como o avião não é do Lula. Ambos fazem parte da União. Quando o Lula sair do governo (se Deus quiser, e espero que Ele queira), a Força e o avião continuarão sendo da União.
29 de Janeiro de 2007 @ 22:37
Criticar positivamente seria admitir que a tal força nacional de segurança pública serviria para alguma coisa útil, além de fazer propaganda para o governo do pt.
Ademais, é invenção sim do pt, como parte do programa de divulgação para tapear as pessoas crédulas que confiam na boa vontade do governo.
Finalmente, se você quer bons exemplos de políticas policiais inteligentes, veja a atuação da Polícia Italiana que está aniquilando a máfia; o programa de tolerância zero do Giulliani em Nova York; a Polícia Criminal Russa que está mandando os gângsteres para a Sibéria; etc.
30 de Janeiro de 2007 @ 00:21
O dia em que os brasileiros se comportarem com a consciência cívica que os americanos têm e o dia em que a realidade social do Rio for igual à de Nova Iorque, talvez então a política que o Rudolph Giulliani aplicou lá poderá funcionar aqui…
Sobre os outros exemplos (Rússia e Itália) eu nem vou me pronunciar, simplesmente porque as medidas adotadas pelos governos citados (o da Rússia eu tenho lá minhas dúvidas…que eu saiba, a Máfia Russa está firme e forte) não são aplicáveis na realidade sócio-econômica do Rio de Janeiro.
Citar tais exemplos é furada. É adotar uma visão simplista. Políticas públicas não podem ser analisadas assim.
Como diz o ditado, no caso do Rio, “o buraco é mais embaixo”. O governo teria que criar políticas públicas de inclusão social, no sentido de erradicar as favelas a médio e longo prazo. Enquanto existirem aquelas dezenas de favelas, servindo de celeiros de soldados do tráfico ou de esconderijo de bandidos, armas e drogas, nem a sua polícia americana, russa ou a italiana vai mudar a violência urbana de lá.
De que adianta adotar política de tolerância zero, se novas gerações de soldados do morro estão sendo criadas nas favelas, devido à exclusão social, à falta de oportunidades e emprego e estudo, à falta de controle de natalidade das mulheres das camadas pobres da população, só pra citar alguns aspectos… ??
Nem vou entrar no aspecto da polícia mal paga, mal preparada, mal equipada, que tem que viver de bicos para poder sustentar a família…
A negligência dos governos estaduais e dos governos federais dos últimos 30 anos TAMBÉM ajudou (e muito) para que a situação ficasse caótica do jeito que está.
Só quem é policial no Rio sabe das dificuldades da profissão. A presença da Força Nacional coibe (mesmo que temporariamente e em apenas certos locais da cidade) a atividade criminosa de forma descontrolada, como os ataques a prédios públicos, além de dar uma sensação de segurança para quem mora no Rio.
30 de Janeiro de 2007 @ 05:55
Consciência cívica é obrigação, em primeiro lugar, de quem governa e tem o poder na mão para agir. O fato do povo ser pouco preparado civicamente não justifica atitudes inúteis com o dinheiro do contribuinte, nem muito menos ações arbitrárias como a revista vexatória aplicada sobre o músico dos Titãs.
Em segundo lugar, é óbvio que somente ações sociais eficientes vão fechar as “fábricas de bandidos” que existem no Rio de Janeiro, bem como no Brasil inteiro. Contudo, até lá o que se espera é que o governo aja de maneira eficiente e no caminho certo.
Em terceiro lugar, as mencionadas políticas policiais não são minhas mas de países evoluídos que usam a inteligência como a principal arma contra a criminalidade, exatamente o contrário do que se faz aqui.
Finalmente, Putin na Rússia tem dado o melhor exemplo do que se deve fazer com os bandidos mais perigosos, ou seja, aqueles que têm muito dinheiro e pensam que podem comandar a Nação.
31 de Janeiro de 2007 @ 01:18
Tu estás distorcendo o que eu escrevi. Leia direito, novamente.
Eu não disse que o fato do povo ser pouco preparado civicamente justifica “atitudes inúteis” com o dinheiro do contribuinte, muito menos ações que você julga como “arbitrárias”.
Só quem trabalha na polícia sabe da necessidade de revistar um suspeito. Por mais que isto seja inconstitucional (na teoria) e desagradável para o cidadão, a revista é necessária no momento da abordagem, como uma forma de prevenir reações de surpresa, que podem colocar a vida do policial em perigo. Na dúvida, eu revisto mesmo!
Eu quis dizer que o dia que o brasileiro tiver a consciência cívica e as mesmas oportunidades dos nova iorquinos (ou seja, o dia em que tivermos a mesma realidade social de NY, aqui no Rio), daí então talvez a política aplicada lá poderá ser aplicada aqui no Rio tbm, com alguma chance de êxito.
Repito: a adoção de qualquer política usada em qualquer país do mundo será inútil no Rio enquanto existirem as favelas e a consequente marginalização do jovem carioca (falta de educação, de trabalho, de oportunidades, falta de controle de natalidade, etc…).
Em tempo, ressalto novamente que sou adepto da crítica propositiva, por isso digo que o problema do Rio só poderá ser solucionado a médio ou longo prazo, infelizmente.
31 de Janeiro de 2007 @ 05:43
Presumo que você seja policial.
Pois bem, a atitude criticada da revista arbitrária não é minha opinião pessoal, mas sim decorrência da lei, pois o Código de Processo Penal que disciplina a questão dispõe claramente que a revista pessoal só se realizará quando houver fundada suspeita que o indivíduo esteja praticando um crime ou escondendo seu produto.
Por outro lado, dizer que isso viola o constitucional direito à intimidade apenas em “teoria” é justificar a ilegalidade que constitue o delito de abuso de poder, apurável não só na esfera administrativa mas também na penal.
Em outras palavras, a revista pessoal como aquela aplicada no integrante dos Titãs foi abusiva e criminosa, pois a fundada suspeita estabelecida na lei adjetiva penal não é o que passa na cabeça do policial, mas sim aquilo que as circunstâncias demonstram de modo razoável.
Tudo isso exige da autoridade policial treinamento, pois seus superiores devem ensiná-lo como proceder corretamente; bom senso, pois o policial deve saber avaliar a situação concreta e não praticar um abuso de poder; e inteligência, para avaliar as consequências de seus atos.
Tenho certeza que você detém todos esses atributos acima descritos, mas tenho certeza também que ninguém está acima da lei.
1 de Fevereiro de 2007 @ 13:46
Sim, sou da PF.
E presumo que você NÃO seja policial, ou que nunca trabalhou em alguma situação de risco, em um cenário urbano.
Em razão disso afirmo: acredite-me… na prática, a teoria é outra. Cansei de achar pistolas semi-automáticas municiadas escondidas em carros de distintos senhores engravatados de boa aparência. Ou nos paletós mesmo. Todos com carro do ano, pistola importada, mas sem documentação de porte ou registro da arma. E todos eles desfiando bravatas e ameaças, no momento da revista.
Curioso ver que todos silenciaram depois que a arma foi encontrada…
Já presenciei dezenas de apreensões de entorpecentes portados por senhores da sociedade, alguns com carros importados, todos de aparência elegante e acima de qualquer suspeita, mas que infelizmente são viciados.
Se ninguém está acima da lei, como você mesmo disse (e eu concordo), qual o problema de revistar alguém que “aparentemente” não é bandido ?? Ou deveríamos revistas somente aqueles que têm a descrição padrão da bandidagem ?
1 de Fevereiro de 2007 @ 22:41
De fato não sou policial mas já passei por algumas situações de risco em tentativas de assalto, felizmente repelidas porque eu estava armado, quando ainda tinha porte de arma. Em todas essas situações, algumas até em legítima defesa de terceiros, nunca precisei disparar um só tiro.
Após a edição do malfadado “estatuto do desarmamento” a sua instituição se recusou a me autorizar portar arma de fogo, apesar de tê-las portado legalmente por 23 anos. Um de seus delegados entendeu que eu não tinha a “efetiva necessidade” de portar arma. Afinal, quem mora em São Paulo não tem problemas com a criminalidade, não é mesmo? Talvez até pudéssemos abordar o papel que a polícia federal tem desempenhado no governo do pt, mas creio que isso não é pertinente agora.
Voltando à tônica de nossa discussão, sendo policial federal e pelo nível de formação que a polícia federal tem, você deve ter entendido as razões jurídicas que coloquei. Aliás, tenho mesmo certeza que você entendeu, já que conhece o Código de Processo Penal e a própria Constituição Federal.
Dessa maneira, respondendo sua pergunta, o problema de revistar todas as pessoas segundo a mera vontade do policial esbarra apenas na proibição constitucional do inciso X, do artigo 5.º, da Carta Federal, que aliás é cláusula pétrea. O direito constitucional à intimidade não depende da eventual boa vontade de qualquer autoridade policial, mas decorre de uma garantia legal inviolável, salvo as razões já explicadas acima.
Portanto, se você até hoje teve a sorte de revistar apenas bandidos ou pessoas que desconhecem seus direitos civis, talvez devesse repensar suas atitudes antes de conseguir alguma encrenca decorrente de abuso de poder.
As liberdades civis não servem para dificultar o trabalho da polícia, mas sim para proteger o cidadão contra o arbítrio de maus profissionais do serviço público, até porque há uma certa tendência de quem dispõe de poder de gostar de usá-lo, principalmente quando se está armado e o “suspeito” não.
A foto do policial da força nacional de segurança revistando o músico exemplifica bem a questão, já que é fácil e dá a impressão que o governo está agindo. Na verdade, além de arbitrária a atitude criticada não serve efetivamente para nada, a não ser intimidar a pessoa honesta, que passa a ter medo da polícia pois pode ser a qualquer momento “apalpada” por algum brutamontes com cara de poucos amigos que a julgar “suspeita”.
Gostaria de saber, a propósito, se o policial em questão agiria da mesma forma contra algum bandidão armado com um AK 47. Creio que seria um pouco mais difícil…
Enfim, essa conversa vai longe e nem sei se vale a pena dar corda no assunto porque percebo que sua visão é bem diferente da minha.
Além de ninguém estar acima da lei, quem deve fazê-la cumprir também não está acima da Constituição e não deve vislumbrar no civil comum uma ameaça em potencial. Sei que até as melhores polícias do mundo erram, mas isso não é desculpa para que a nossa faça o mesmo.
2 de Fevereiro de 2007 @ 13:43
Hum… fico feliz que ninguém saiu ferido nas suas chamadas “situações de risco”.
Mas, agora eu entendo tudo melhor…
Sinceramente, você não deveria ficar ressentido se algum delegado da PF proibiu-o de portar a sua arma de fogo. Mais ainda: você não deveria estender o seu sentimento para todos os integrantes da PF ou para qualquer autoridade. Comete um erro aquele que julga a maioria silenciosa por causa de uma minoria barulhenta. Se o colega delegado em questão entendeu que você não tem a necessidade de portar uma arma de fogo, o problema é dele, e seu. Como eu disse, comete um erro aquele que julga a maioria silenciosa por causa da minoria barulhenta.
A instituição não é “minha”, como você disse. Aqui, como qualquer outra instituição no mundo, existe uma hierarquia que precisa ser seguida. Por isso nós, aqui embaixo, acatamos e seguimos as orientações que vem de lá de cima. O que menos precisamos na PF são integrantes individualistas, verdadeiros “justiceiros”, que agem sem pensar, ou sem espírito de equipe.
Sobre suas considerações acerca da atuação da PF no Governo do PT, explicito: sou apartidário, entretanto sei que existe uma hierarquia (acima citada) que precisa ser observada. Os índices de aproveitamento da PF são um dos melhores do Brasil. Tenho orgulho do trabalho da PF, e tenho orgulho de todas as vezes em que a PF esteve trabalhando em situação de perigo, seja apreendendo um carregamento de drogas no porto, seja interceptando um carregamento de armas na fronteira boliviana. Sei que a instituição tem falhas, como qualquer outra do mundo, mas tenho a consciência tranquila enquanto trabalho e arrisco a minha vida (com muito orgulho) para executar bem o meu trabalho, enquanto a grande maioria dos cidadãos (e provavelmente você) estão em casa, tranquilos, assistindo à TV.
Pessoalmente, não gosto de debates onde o tom emocional toma conta do assunto em questão. Sei que é difícil controlar as emoções na hora de expressar suas idéias, principalmente quando nos sentimos lesados. Então, para manter o bem estar aqui no blog da Taymo, ressalto que esta é a minha última participação neste tópico em questão.
Meu intuito nunca foi provocar os ânimos. Como eu disse na primeira postagem, gostaria de saber quais seriam as críticas propositivas acerca da situação que temos no Rio. Mas quando a emoção e a revolta impulsionam a crítica, o debate perde o tom racional e, infelizmente, decai em qualidade.
Paciência…
Meus cumprimentos ao dono do blog!
2 de Fevereiro de 2007 @ 18:16
Você está enganado em supor que apenas os policiais federais correm perigo, principalmente nas grandes cidades brasileiras. Ademais, qualquer pessoa de bom senso reconhece que tentativas de assalto colocam a potencial vítima em situação de risco de morte. Infelizmente, esse não é um privilégio só de vocês.
Por outro lado, tenho certeza que você faz parte da maioria silenciosa dos bons profissionais da polícia federal, a qual, lamentavelmente no governo do pt, deixou de ser a Polícia Judiciária da União para se transformar na polícia política do governo.
Além disso, apesar de ficar eventualmente assistindo televisão em casa, diariamente arrisco minha segurança nas ruas de São Paulo, desarmado, sem colete à prova de bala, sem carro blindado, sem escolta e, principalmente, sem julgar os outros cidadãos incapacitados para exercerem a legítima defesa.
Ademais, o nível de qualidade das discussões do Blog não caiu com nossa participação; pelo contrário, possibilitou aos outros leitores conhecerem o posicionamento do policial federal frente às ponderações de um advogado.
Creio ser saudável tal divergência, além de democrática. Aliás, democracia pressupõe respeito recíproco e em momento algum tive o propósito de ofendê-lo, até porque não o conheço. Da mesma forma, não me senti ofendido por suas colocações ou mesmo por qualquer decisão de algum colega de sua instituição.
Contudo, se você entende que a razão não está prevalecendo, não tem problema, apesar de meus argumentos serem fundamentados.
Finalmente, quanto à situação caótica do Rio de Janeiro, como cidadão pagador de impostos não tenho que apresentar soluções, mas posso criticar o que está errado. Numa democracia o eleitor pode fazer isso. Quem tem de arrumar as soluções são os que querem governar.
6 de Fevereiro de 2007 @ 14:51
Perdoem-me pela aparente intromissão, mas eu acho que cabe uma reflexão acerca de algo que foi falando acima, sobre o fato do art. 5º da Constituição Federal ser “cláusula pétrea”.
Com todo o respeito, acho que o Marcelo Pereira se expressou de forma equivocada. O fato do art. 5º, inciso X - inviolabilidade da intimidade - ser direito fundamental não significa que ele não pode ser violado.
O termo “cláusula pétrea constitucional” quer dizer que a matéria [assunto] do artigo não pode ser objeto de deliberação de emenda tendente à abolição do mesmo artigo; ou seja, como o art. 5º da Constituição versa sobre os direitos e deveres fundamentais, o fato de ser cláusula pétrea que dizer simplesmente que esse objeto - os direitos e deveres fundamentais - não podem ser discutidos em uma proposta que tende a aboli-los. É que, do jeito que foi escrito aqui, parece que o art. 5º não pode ser violado porque é cláusula pétrea, e não é isso que o texto constitucional quer dizer no art. 60, parágrafo 4º - cláusulas pétreas. As cláusulas pétreas estão no art. 60, parágrafo 4º, e não no art. 5º da Constituição Federal.
Outro ponto para a nossa reflexão é o dito que o direito constitucional à intimidade é uma garantia legal inviolável. A maioria esmagadora da Doutrina Constitucionalista do Brasil [Lênio Streck, Daniel Sarmento, Celso de Mello, etc…] diz que não existem direitos fundamentais absolutos. A maior prova disso é que até o direito à vida - que muitos dizem ser o maior dos direitos - não é absoluto em nosso ordenamento jurídico, já que existem as excludentes de antijuridicidade - legítima defesa, estrito cumprimento do dever legal, estado de necessidade e exercício regular do direito.
O legislador constitucional quis evitar o fenômeno chamado “Retrocesso constitucional”. Por isso, uma das características dos direitos fundamentais é a Vedação ao Retrocesso já mencionada anteriormente. Por isso, para evitar o retrocesso, que transformaram em cláusula pétrea qualquer tentativa de mudar o art. 5º - Direitos e Deveres Fundamentais.
Cabe dizer também que, além da maioria esmagadora da Doutrina, o Supremo Tribunal Federal, a corte máxima da Justiça Brasileira, também diz que não existem direitos fundamentais absolutos ou invioláveis, como pode ser observado em um H.C. relativo aos poderes das CPI - Comissão Parlamentar de Inquérito.
Ou seja, o direito à intimidade do art. 5º, X não é uma garantia legal inviolável, como foi dito aqui no Blog.
Como especializando em Direito Constitucional pela EFD, eu não resisti á tentação de me manifestar!
Abraços a todos os amigos do Blog e ao Mauro!
6 de Fevereiro de 2007 @ 18:30
Não é intromissão nenhuma; pelo contrário, todas as idéias que venham para contribuir com o debate são bem vindas. O Blog existe para isso mesmo.
Nesse sentido, não afirmei que a intimidade garante uma inviolabilidade absoluta. Mencionei claramente a regulamentação da matéria prevista no Código de Processo Penal.
Contudo, o que não podemos permitir é a relativização do conceito constitucional frente à prática policial, ou seja, a lei adjetiva penal já fixou os contornos e os limites da revista pessoal, não cabendo ao policial inovar onde a lei não permite tal margem de ação, principalmente quando se está perante uma garantia constitucional.
Sabemos das dificuldades diárias do trabalho policial, mas não podemos abrir mão dos postulados que garantem o Estado de Direito, bem como o princípio da legalidade, por conveniência das autoridades ou inércia dos cidadãos.
Também sei que as situações de exceção, tal como o estado de sítio que é uma previsão constitucional, afastam as próprias garantias do artigo 5.º da Carta Federal, mas não estamos em tal situação nem aqui e nem no Rio de Janeiro.
10 de Fevereiro de 2007 @ 18:38
Gostaria de dar meus pitacos no assunto
Sr. Marcelo
Gostaria que o Sr. explicasse em linguagem laica o que disse sobre o artigo 5, pode ser importante para nós em algum momento.
Caro Sr Maicon
Entendo as dificuldades da policia brasileira, entretanto penso que boa parte do efetivo simplesmente não cumpre seu dever frente a sociedade, citarei um exemplo recente ao Sr. da negligência policial.
Ontem, 9/02, eu andava pela Sé, quando percebi que alguém corria atrás de mim, me virei enquanto abria o botão do bolso onde porto um canivete de combate ne vi um rapaz passar por mim com uma faca na mão, o sinal estava fechando e rapidamente percebi que ele se dirigia a uma jovem que estava em seu carro com a janela aberta, retirei o canivete e o deixei a mão, observei a volta e vi que o garoto estava sozinho, fui me aproximando calmamente, e quando ele levantou a lamina (uma faca afiadissima de pelo menos 18 cm) anunciando o assalto eu gritei para ele se mandar, quando ele se virou eu abri meu canivete, ele se assutou e saiu correndo.
Ok, mas logo depois percebi que ……a moça tinha um carro atrás dela, e atrás deste carro o que tinha?
Um furgão da polícia com quatro policiais militares dentro!!!!!!
Tranquilamente fechei o canivete, recoloquei no bolso e então avisei os policiais do ocorrido, a resposta deles?
_ Ele já foi? Então não temos como pegar!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
A nossa policia, bem treinada que é não tinha visto a tentativa de assalto, não tinha visto minha intromissão, não tinha visto eu abrir um canivete e nem o garoto fugindo rsrsrsrsrs. Embora motoristas de carros ainda mais distantes tenham visto.
A menina agradeceu e foi embora, os que tinham visto me parabenizaram por ter feito o trabalho que não competia a mim fazer, e eu simplesmente fui me retirando do local, fulo da vida.
Por estas e outras que aconselho a todos de aprenderem a arte de manipularem facas e andarem armados, mesmo que a pessoa não tenha dinheiro para comprar os clássicos que compre facas ou canivetes mais simples e ande armado, sem esperar ajuda da polícia.
Tenho dois filhos, e estou pensando sériamente em treinar minha filha de 14 anos nesta arte (o menino não tem equilíbrio psicológico para tal ainda, muito nervosinho).
Pq sei que ela não poderá contar com a justiça brasileira caso alguém tente estupra-la, e prefiro responder processo por ela que ver a menina ter problemas com algum vagabundo.
Por isto sempre me coloquei a disposiçao de pessoas que queiram se instruir em manejar facas, pq sei que não estamos em um país que possa prover a segurança do cidadão que paga impostos.
Como já disse, sei os problemas que a polícia enfrenta, sei das dificuldades, mas vejo que a inabilidade, e pior, muitas vezes a corrupção reina. E aqueles que são de fato honestos (sei que vcs existem), muitas vezes não podem fazer muita coisa.
Um forte abraço a todos.
10 de Fevereiro de 2007 @ 21:12
Que situação, Sérgio! De fato, os policiais militares foram totalmente negligentes. Ainda bem que, para a sorte da motorista do carro, você teve o sangue frio necessário para agir. Muito bom!
Abraços!
10 de Fevereiro de 2007 @ 22:44
Pois é, como eu disse o melhor (se tirarmos de lado os idealismos), é cada um aprender a se proteger, pois nosso sistema não pode (e aparentemente não quer) cumpror seu dever.
11 de Fevereiro de 2007 @ 12:36
Prezado Sr. Sergio:
Em primeiro lugar, parabéns por sua atitude cívica. Se todos agissem assim, a criminalidade seria muito menor.
Quanto ao seu questionamento, o artigo 5.º da Constituição Federal estabelece os direitos e garantias individuais, ou seja, as prerrogativas que o indivíduo tem e o Estado deve respeitá-las. Dentre estas, temos por exemplo o direito de só ser preso em flagrante na ptática de um crime ou por ordem escrita de autoridade judicial; o direito à ampla defesa em processo de qualquer natureza acusatória; o direito à honra; à intimidade, etc. Se o senhor ler o mencionado artigo constatará todos esses e muitos outros.
Por conta dos mesmos e também por causa do regime democrático e de direito que ainda vivemos (apesar dos esforços contrários do governo do pt) é que toda ação policial deve ser nos termos da lei, já que as prerrogativas dos cidadãos não dependem da boa vontade da polícia, mas decorrem da Constituição e da legislação.
O policial sabe disso, ou deveria saber, e como agente público tem o dever de cumprir sua tarefa sem desrespeitar a lei. Se o particular tem a obrigação de não descumprir a norma jurídica, o que dizer então do representante do Estado? Obviamente ele, mais do que qualquer outro, tem o dever de observar a legislação.
Aproveitando seu exemplo, os jornais de São Paulo noticiaram dias atrás a ação de policiais militares agindo arbitrariamente e com abuso de poder na abordagem de indivíduos na denominada região da “cracolândia”. Os policiais despiram os “suspeitos”, espancaram os mesmos sem necessidade pois não houve resistência e queimaram seus pertences pessoais, como se isso fosse corriqueiro e justificável. Naturalmente a opinião do Secretário da Segurança foi outra e os militares foram presos administrativamente, enquanto outras providências pertinentes estão sendo providenciadas.
Num Estado de Direito até bandidos têm de ser tratados nos termos da lei; não porque devamos ser caridosos com eles, mas porque não queremos que a polícia nos trate com arbítrio se nos confundirem com marginais. Se o policial não consegue compreender tal postulado, deve procurar outra profissão.
Toda a questão surgiu a partir da foto publicada no Estadão, na qual um membro da tal força nacional de segurança aplicava uma revista ilegal num famoso músico. Pouco importa se a vítima concordou com a revista ou se o Rio de Janeiro acabou em termos de segurança pública. O fato é que o Estado tem de cumprir a lei, sempre.
Nossos direitos não dependem da boa vontade de ninguém; eles advêm da lei.
16 de Março de 2007 @ 09:57
O jornal O Estado de S.Paulo publica hoje na primeira página outra fantástica atuação da polícia do Rio de Janeiro, ou de quem faça seu papel, mostrando um policial revistando uma “perigosissíma” criança de uns sete ou oito anos na favela de Vigário Geral. O corajoso homem da lei, com um fuzil Colt M-16 a tiracolo, cumpria seu papel de combate à criminalidade na cidade maravilhosa.
Graças a ações desse tipo é que no Rio e em outros locais do Brasil o crime está sob controle e os bandidos cada vez mais intimidados.
16 de Março de 2007 @ 15:46
Gostaria de aproveitar a história e narrar uma história que eu sei que se enquadra no mesmo titulo:
Um garoto recebeu de seus pais a obrigação de pintar a cerca de sua casa, enquanto pintava chegaram lá seus amigos chamando-o para ir andar com eles de bicicleta.Quando viram que ele estava preso à tarefa, disseram: íamos te chamar, mas estamos vendo que você não vai poder ir conosco pois está ocupado.
O garoto respondeu: ocupado que nada, estou brincando de pintor, meus pais até me deram uma lata de tinta e um pincel e me deixaram pintar a cerca toda.
Então um dos amigos pediu: me deixe brincar um pouco também, e os outros acompanhando o primeiro também começaram a pedir.
Está bem, um de cada vez. Um depois do outro, cada um pintou um pouco, logo a cerca estava toda pintada como os pais do garoto lhe haviam incumbido.
17 de Março de 2007 @ 12:44
Se a pretensão do governo for cuidar da segurança pública dessa maneira, aos poucos, não vai conseguir vencer a velocidade empresarial adotada pelos bandidos.
21 de Março de 2007 @ 06:41
Notícia do Estadão do dia 20 de março de 2007(pág. C6): ” Justiça do Rio proíbe policiais de revistarem menores de 18 anos”.
Atendendo pedido de habeas corpus impetrado pela ONG Projeto Legal, a Desembargadora do Tribunal de Justiça Cristina Tereza Gaulia expediu liminar proibindo a polícia carioca de revistar menores sem que haja fundadas razões.
Trecho da decisão de Sua Excelência:” A busca e apreensão de mochilas escolares trazidas por crianças ou adolescentes viola o direito à privacidade, o que se revela mais aviltante quando estamos diante de crianças, mormente se ainda realizado por agentes fortemente armados, a intimidar os menores”.
Digo mais, tal atitude provavelmente não se realizaria se a vítima fosse um bandidão armado com um AK 47 russo.
Felizmente, quando se pensa que tudo está mesmo perdido, aparece uma chama de decência no meio da escuridão da incompetência.
Parabéns à Desembargadora Cristina Tereza Gaulia.
25 de Março de 2007 @ 19:29
É muito triste constatar que a profissão que escolhi, por vocação e amor, é tão desvalorizada e rejeitada pela sociedade. Quando entrei na Academia de Polícia ouvia sempre o seguinte jargão “Polícia perto incomoda e, longe faz falta”. Hoje, formado, percebo o quanto isso é verdade. Sei que existem maus policiais, despreparados, corruptos e truculentos, mas, eu pergunto, qual a área profissional que não tem em seu seio indivíduos com desvios de conduta? Desvio de conduta e maus profissionais existem em todas as áreas. Quem nunca viu advogados, médicos, e até magistrados, envolvidos em algum tipo de ilicitude. Não tem jeito, a polícia sempre estará no olho do furacão. Diariamente os telejornais tem um caso novo para noticiar e, isso talvez se explique pelo tamanho do seu efetivo , comparada a outras profissões, a policial é bem maior. Sem falar na audiência que esse tipo de matéria dá.
O fato, é, que, somos mal formados, ganhamos uma miséria, lidamos com a desgraça humana e, para piorar somos renagados pela sociedade. Agora imagine como está a auto-estima do policial. O preconceito contra o profissional de segurança pública é tão forte que até eu estou começando a achar que nós não prestamos mesmo.
26 de Março de 2007 @ 12:21
A profissão de Policial é das mais nobres do Estado e de fundamental importância para a sociedade. O que acontece no Brasil é que os governos sucessivamente têm desprezado os serviços públicos, aí incluídas também as carreiras policiais, estando a situação atualmente num ponto praticamente catastrófico.
Todos sabem que a criminalidade chegou ao estágio atual por conta exclusivamente de políticas governamentais equivocadas e mal intencionadas, sendo a Polícia na verdade o “bode expiatório” em várias ocasiões, quando efetivamente a Corporação é mais uma das vítimas de governos irresponsáveis que têm aparecido, um ápós outro.
Por outro lado, concordo que maus profissionais existem em qualquer atividade, inclusive nas Polícias, mas esses são exceções pois a grande maioria é formada de pessoas sérias e dedicadas.
Contudo, exatamente por conta da importância do trabalho policial é que as ações do mesmo têm sempre grande repercussão, tanto as boas como as más. Caberia à imprensa dar o devido destaque para ambas, mas não é o que acontece na prática.
O que talvez nem todos saibam é que igualmente a imprensa age numa campanha difamatória quando convém aos interesses do governante de plantão. No caso específico, tem servido aos recentes governantes de plantão toda e qualquer forma de difamação às Polícias, às Forças Armadas e ao serviço público de modo geral, já que uma onda de neoliberalismo selvagem assola nosso País.
De qualquer forma, quero deixar claro que as críticas que formulo são pontuais e embasadas em fatos específicos, pois também concordo que as carreiras policiais são desprezadas, pessimamente remuneradas e injustamente responsabilizadas pela crescente criminalidade.