Canivete de combate - que ponta é ideal?
Na década de 80 Ernest Emerson popularizou o estilo de lâmina “tantô” no ocidente com seu canivete CQC7 (Close Quarter Combat), produzido pela Benchmade, sob licença. Este canivete foi projetado como sendo um canivete de combate para curta distância. O sucesso foi tanto que permitiu ao Emerson criar sua própria marca e cutelaria. Mas por quê Emerson optou por estilizar uma lâmina com o estilo “tantô”, tão distante estava este dos modelos de combate da época? Primeiro temos que levar em conta de onde surgiu este tipo de ponta, depois sua real eficiência no equipamento de defesa da época, como coletes à prova de balas e uniformes reforçados.
A palavra “tantô” vem da espada curta (quase faca) da era dos Samurais. Seu significado é justamente este, “espada quebrada” (tan = quebrada, to = espada) e era produzida exatamente com as lâminas quebradas das espadas Katanas e Wakizashis. Numa época em que o aço era material raro e uma espada um bem precioso, toda lâmina era aproveitada, mesmo as quebradas. Assim o “tantô” se tornou o terceiro membro da família de espadas Samurais.
Emerson percebeu que a ponta da lâmina, conforme podemos observar na foto anexa, podia perfurar facilmente um uniforme reforçado e até mesmo um colete a prova de bala. Assim adaptou com pequenos ajustes de desenho a ponta da “tantô” original para seus canivetes. Depois deste primeiro, dezenas de outros modelos aproveitaram-se deste design. O sucesso também se deve a comprovação de sua eficácia em situação de combate real.
Mas, a pergunta que coloco é: será este o tipo ideal de lâmina para uma faca de combate? Ou outros modelos também conseguem tal capacidade de penetração?
Gostaríamos de saber sua opinião, escreva um comentário.

Se quiser saber mais sobre Ernest Emerson, entre no site www.emersonknives.com
19 de Abril de 2006 @ 17:23
Como foi dito, a melhor ponta no quesito “capacidade de penetração” é a ponta da lâmina no estilo Tantô. Sem sombra de dúvida. Mas isso seria eficiente levando em conta apenas o golpe de estocar.
No quesito cortar, acredito também que uma boa lâmina de combate tem que ter fio duplo, com corte de ambos os lados. Vide qualquer adaga da Cold Steel, Benchmade ou as facas do Coronel Rex Applegate: todas tem fio duplo, com corte afiadíssimo dos dois lados da lâmina.
Particularmente, eu prefiro o desenho “adaga”, com corte dos dois lados, como os modelos “Peace Keeper”, da Cold Steel.
19 de Abril de 2006 @ 19:02
Acredito que tanto a ponta “tantô” como a drop point são de um poder de penetração acentuado, principalmente se estivermos falando de facas ou canivetes de qualidade como os Benchmade, Spyderco,Ka Bar entre outros. Imagino que o fator determinante em um golpe de estocada é a precisão e a potência com o qual o usuário desfere o golpe, lembrando que sem a aplicação de um golpe correto e na hora exata, podemos ficar a mercê de um contra-golpe, bem como até perder a lâmina no combate, o que pode ser a diferença entre voltar para casa e para seus entes queridos ou não. Na minha humilde opinião os golpes de passagem ou cortantes mostram-se bem mais eficientes devido a pequena profundidade dos nervos e artérias no corpo humano!!! Espero ter sido claro!!!
Abraços a comunidade cuteleira!!!
Silvio J. Araujo Viana
São Paulo-SP
20 de Abril de 2006 @ 09:59
O que faz uma lâmina penetrar é o seu fio, não bastando apenas uma ponta aguçada. A ponta estilo tantô seria ótima se tivesse fio duplo. Aliás, esta é a falha de projeto da tantô da Cold Steel.
Os artesãos cuteleiros japoneses não se preocupavam muito com a ponta das espadas porque sabiam que golpes perfurantes só eram utilizados como último recurso, muitas vezes para finalizar o combate com o oponente já ferido mortalmente.
Na verdade, tanto no combate com facas como com espadas, os principais golpes são os cortantes, reservando-se as perfurações para situações específicas, já que o risco de travar a lâmina na musculatura ou num osso numa estocada está sempre presente.
Marcelo Pereira
20 de Abril de 2006 @ 12:15
Prezados, pegando carona nos comentários do Brilhante Marcelo Pereira lanço uma pergunta, em caso de abordagem com o meliante portando arma de fogo a uma distância de combate primário, deve-se não reagir? reagir; e como com estocadas ou golpes de passagem????
E aí????
Silvio J. Araujo Viana
São Paulo-SP
20 de Abril de 2006 @ 14:04
Considerando que um projétil de uma 9mm., por exemplo, viaja a uma velocidade de 800m./s, eu prefiro não reagir…
20 de Abril de 2006 @ 14:31
Boa, isto considerando que a arma esteja apontada para o alvo e a mesma engatilhada e com a munição na agulha!!! e no caso de que a arma esteja abaixada ou simplesmente na cintura do indivíduo, pois temos relatos que o simples fato de levantar a camisa para uma vítima é o suficiente para conseguir o seu objetivo que e o roubo!!! Mais alguém acha que não se deve reagir????
Estou criando uma polêmica e um momento de reflexão!!!!
Silvio J. Araujo Viana
São Paulo
20 de Abril de 2006 @ 14:34
Bem, não se esqueçam da lâmina flat (reta) com ponta tipo “clip point”, como do Spyderco Military. Extremamente robusta e perigosa.
20 de Abril de 2006 @ 22:16
Estou começando a gostar de canivetes, principalmente, os de fabricação americana (USA).
A título de orientação, peço que me informem quais são as três melhores marcas de canivetes de defesa e de porte confortável.
Obrigado.
20 de Abril de 2006 @ 22:29
Na minha opinião são:
Al Mar - pelo seu apuradíssimo acabamento e design.
Benchmade - por design, material empregado e acabamento, além de praticidade.
Spyderco - por seus desenhos práticos e inovadores, material de primeira qualidade e praticidade total em uso.
21 de Abril de 2006 @ 08:17
Prezado Silvio José Araújo Viana:
Obrigado pela referência à minha pessoa.
Quanto ao seu questionamento, penso que a reação vai depender exatamente da grande vantagem que o meliante tem contra a vítima, ou seja, o fator surpresa. Perdido este, a vítima preparada tem chance de se defender de um assalto, mesmo usando uma lâmina contra uma arma de fogo.
Na prática, é preciso se antecipar ao bandido, pois se a arma estiver apontada para você não há o que fazer. Porém, se a reação for antes do criminoso sacar sua arma, as vantagens ficam a favor do indivíduo treinado no manejo de facas.
Marcelo Pereira
21 de Abril de 2006 @ 12:25
Prezados colegas:
Creio que em uma ocasião em que possamos usar o fator surpresa e uma faca (ou canivete) para reagir a um assalto seja uma opção não viável.
Em primeiro lugar: violência gera mais violência. A partir do momento da reação, precisaremos eliminar qualquer possibilidade de ação do criminoso. E, em menos de 2 segundos, não temos como calcular com precisão uma maneira de inutilizá-lo sem tirar sua vida.
Em segundo lugar: caso seja em um assalto, o meliante só deseja nossos objetos de valor. A vida dele vale menos que nossos objetos? Creio que não. E colocar em risco a nossa própria vida? Creio que não valha a pena.
A única situação em que eu reagiria, seria caso minha família ou entes queridos também pudessem ter sua integridade física prejudicada pelo meliante. No caso do interesse não ser meramente por nossos objetos de valor, e sim danos à nossa integridade física e das pessoas que amamos (no caso da sua família estar com você). Mas mesmo assim acho que uma reação seria válida se tivermos certeza que nossas integridades físicas correm sério risco. Nesse momento precisamos de calma e concentração para descobrirmos o melhor momento de utilizar algum fator surpresa eficaz. Geralmente só se tem uma chance.
Abraços aos colegas.
Rafael Tomazi
22 de Abril de 2006 @ 11:29
Do meu ponto de vista, não podemos contar com a benevolência do bandido, devendo eliminá-lo numa situação de legítima defesa pois a lei ampara tal situação.
Agora, é claro que tal opinião não serve para todos, pois as pessoas que preferem não reagir e não estão preparadas realmente não devem se arriscar. É um direito delas contar com a boa vontade dos criminosos(se é que existe), cnfiando que os mesmos querem apenas os bens materiais.
Marcelo Pereira
23 de Abril de 2006 @ 13:59
Prezados colegas.
Estou a pouco tempo no colecionismo e também porto quase cotidianamente lâminas na simples intenção de me defender de uma injusta e eminente agressão a minha pessoa, peço desculpas se algum colega achou que estou pregando a violência e a matança, porém devemos relembrar de casos de violência gratuita de vários bandidos, que estiveram nas páginas policiais, sito por exemplo o caso do jovem Felipe Café o qual foi morto por um menor de idade que junto com seus comparsas barbarizaram um casal de jovens que simplesmete acampavam, pergunto a vç’s qual crime esses jovens cometeram?
Devemos então andarmos vestidos de folhas de jornal?
Ou pior, aqueles de nós que podem ter bens de valor por seus esforços e méritos devem se desfazer dos mesmos por causa de bandidos?
Me desculpem as opiniões contrárias mais eu acredito que em caso de certeza e eu digo somente 100% de certeza eu reagiria sim, também novamente devo concordar com nosso Papa das facas Marcelo Pereira, aqueles que não tem aptidão nem a técnica necéssaria para se defender não façam isso, tanto as armas de fogo comos as lâminas, devem ser usadas como a última alternativa e é necessário preparo psicológico e muito sangue frio pois mesmo sendo um ser humano, lembrem-se que o bandido não mede esforços para adquirir seus objetivos!!!!
Relato isso por um simples motivo de conhecer inúmeros casos que mesmo sem reagir a vítima foi executada pelo simples fato de estar apavorada!!!!
ABRAÇOS A TODOS!!!!
Silvio J Araujo Viana
São Paulo-SP
23 de Abril de 2006 @ 21:12
O Silvio Viana tem razão. Somente quem está técnica e psicologicamente preparado para reagir deve fazê-lo, principalmente se for usar uma lâmina, que não é a mesma coisa do que atirar num bandido.
O contato corpo a corpo no uso da faca, o sangue e a determinação firme de cortar mortalmente um agressor, não é para quem não acredita realmente no que está fazendo.
Atirar é muito mais fácil.
Marcelo Pereira
24 de Abril de 2006 @ 02:37
Maranto e “admin”…
Não se esqueçam dos canivetes CRKT, desenhados pelo Carson !
São muito robustos, de primeira qualidade, e com aquele sistema de trava de lâmina que é imbatível!
Recomendo… eu tenho vários!
24 de Abril de 2006 @ 10:52
Caros amigos do blog:
A Discussão sobre ponta de faca/ponta de canivete é extremamente pertinente. Gostaria de opinar no sentido de que a melhor ponta de canivete que conheço é a do Spyderco ATR (ver no site da Spyderco). Este canivete foi construído devido à pequena, mas possível, incidência de quebra nas pontas das lâminas durante sucessivas penetrações, mesmo considerando que as lâminas são construídas com aços “top de linha”.
O que mais me chama atenção, na verdade, é que se trata de um canivete pouco conhecido ou avaliado.
Abraço a todos.
Veja este canivete aqui http://spyderco.com/catalog/details.php?product=118
27 de Abril de 2006 @ 13:37
Rafael Tomazi disse que a vida do bandido vale mais que nossos objetos de valor. Será? Por um acaso tudo que voce ganhou veio de graça, ou voce teve que gastar tempo da sua vida, seu esforço, seu trabalho, seu suor para comprar? Por um acaso não é uma grande parte de sua vida que está naquilo que voce tem? Quando alguém leva embora, por exemplo, seu carro, que voce pode ter demorado 10 anos para comprar, não foram 10 anos de sua vida que foram embora?
Isso na melhor das hipóteses, se ele realmente quiser somente seus “bens materiais”….
Concordo plenamente com o Dr. Marcelo Pereira. Se possível, eliminar o marginal para garantir sua sobrevivencia, e também os seus “bens materiais…”
27 de Abril de 2006 @ 16:13
Gostei da explanação sobre a tantô Mauro, tks.
Eu estou na onda do tantô quando falamos de canivete de combate.
Ainda mais com um CRKT M16.
A tantô perfura tudo e deve ser bem fácil de afiar por ser uma lâmina reta.
Se não fugir muito do tópico , podemos falar das balisongs.
Como não sei se posso considerá-las um canivete, tecnicamente dizendo, direi somente:
Algumas bali seguem o desenho “adaga”, mencionado pelo Leandro.
Devem ser ótimas para combate, exceto para mim que cortaria os próprios dedos.